quarta-feira, 3 de junho de 2009

Superando a Crise: o caminho é a mudança cultural




Todos nós fomos e estamos sendo afetados, direta ou indiretamente, pela crise mundial. A diferença é como cada um reage a ela. Dos dois extremos “suicídio” e “não é comigo”, temos uma enorme variedade de possibilidades que passam por campos como o financeiro, negócios, empregos, saúde, auto-estima, humor e muitos outros. Como dizia Drummond, “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.

Qual é a sua escolha? Você é dos que diz que está sempre sem tempo ou recursos? Pense bem... não responda por impulso... fique com a questão! Procure se lembrar da última vez que aceitou um desafio. Comece escolhendo ler esse texto até o fim.

Para sair desse estado é preciso aprender a pensar “fora da caixa”. É preciso uma mudança cultural. A frase do Einstein, "Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo grau de consciência que o gerou" ilustra bem o que é uma mudança cultural.

Todos nós temos um código cultural que nos leva a agir e reagir conforme essas crenças e valores. O que é preciso para alterar o código cultural? O que é preciso para se abrir a algo novo e inusitado? Em primeiro lugar é preciso colocar de lado o que você acredita e, momentaneamente, imaginar a possibilidade de aceitar uma nova idéia. Isso significa manter suas crenças e valores afastados do seu julgamento e ser generoso na escuta de uma possível mudança.

Vamos, por exemplo, pensar na possibilidade de que ler, ouvir e ver notícias seja uma ação de pouca utilidade. Deixemos de lado, por instantes, a idéia de que os jornais são uma rica fonte de informações e de que se não estivermos conectados a eles, seremos alienados. Ficaremos abertos para a possibilidade de que, além de nos fazerem perder uma boa quantidade de tempo, não nos trazem informações pertinentes às necessidades do nosso dia a dia. Pode parecer difícil imaginar isso, mas podemos ir além. Por exemplo, dizendo que as notícias podem nos fazer mal ou que ao invés de informar podem desinformar. Qualquer mudança cultural é uma mudança de paradigma (breakthrough) e, portanto, exige um novo grau de consciência.

Tudo está mudando! Na educação está ficando claro que esse modelo de escola não funciona mais. Na saúde, a neurociência e a inteligência social estão revolucionando o conceito de doença. Na política a sociedade civil transforma um movimento em votos. Na ecologia, o verde deixou de ser adjetivo para se tornar um verbo. Na economia e negócios é onde temos, ainda, um longo caminho a trilhar. Apesar dos sinais estarem claros de que há uma Nova Economia, precisamos de uma urgente transformação cultural nas organizações. Isso não é uma ação individual, mas coletiva, colaborativa.

Qual o caminho?

Acredito muito na visão de inovadores e na oportunidade que o Brasil tem de liderar essa mudança cultural. Somos multiculturais por natureza!
Um desses líderes inovadores é Oscar Motomura, conhecido por praticamente todos os líderes empresariais e que está promovendo um evento que, na minha visão, é imperdível.

Durante três dias, Motomura dialogará com o papa da cultura organizacional, Edgar Schein, que estará no Brasil para este evento colaborativo. É uma oportunidade de mudar o nosso grau de consciência e compartilhar com uma comunidade o pensar “fora da caixa”.

Faço uma provocação, emprestando mais uma frase de Einstein: “Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes.”

O evento começa no próximo dia 16 de junho. Mais informações: www.mudancacultural.com.br

terça-feira, 14 de abril de 2009

Jornalismo 2.0

Estamos num momento histórico onde as mudanças socioeconômicas estão ocorrendo numa velocidade muito maior do que é possível para as escolas, empresas e governos acompanharem. Além disso, o poder e a riqueza estão mudando de mãos. Até mesmo a religião está sendo “resignificada”. O agente dessas mudanças somos nós e a força das nossas redes de relacionamentos. Um fenômeno chamado Mídia Social está alterando a política mundial, a gestão dos negócios, a publicidade, a aprendizagem, o sistema todo de saúde, o movimento socioambiental, a cultura e a imprensa mundial. Isso, obviamente, está alterando o mundo como o conhecíamos. As escolas, lamentavelmente, estão longe desse processo. Elas estão na contra mão de fazer o que é necessário para preparar seus alunos para essa nova realidade. Em minha opinião, a maioria delas, é uma perda de tempo, humor, saúde e dinheiro. A ponta dessa mudança é a Imprensa! Cabe a ela se adaptar e informar, o mais rápido possível, sobre essa nova consciência e a importância (e responsabilidade) de cada um de nós.
A Imprensa está passando pela nova realidade da web 2.0 e sentindo seus efeitos na pele, no papel, nas redes, nas ondas e micro ondas. Quem estiver parado discutindo sobre quem é jornalista ou não, sobre diplomas, reservas de mercado, validade do blog, sobre fronteiras entre mídias, se o jornal físico vai morrer ou não… está perdendo um tempo precioso! Mesmo questões sobre privacidade e direito autoral já estão quase mortas. As questões são outras: reputação, colaboração, mídias sociais, experiência do leitor, comunicação interativa, fãs, cidadania, identidades, tribos, cultura de transparência, responsabilidade com o planeta e seus habitantes. Para essas questões, e muitas outras que virão, ainda não há respostas fáceis. Temos só um vislumbre baseado na pouca experiência que tivemos nesses últimos anos. Tudo está mudando na imprensa, das agências de notícias até os múltiplos formatos dos veículos.
Vamos começar, por exemplo, com quem lê o que. Uma coisa é a importância e a idoneidade do veículo, outra é quem está lendo – de verdade – o que está escrito, dito ou visto nele. A colunista Kathleen Parker do Washington Post afirmou, numa coluna (Folha de São Paulo 07/11/08 – A12) , que ninguém lê a “The Economist”, independente do contexto… ela tem razão e todo mundo sabe disso. Ou seja, a revista de economia mais importante do mundo não é lida por “ninguém”. Temos muitos exemplos de momentos em que a imprensa divulgava uma coisa e as pessoas acreditavam em outra. O caso mais comentado, do boca a boca superando a imprensa é a do PCC em maio de 2006 em São Paulo. Apesar de ter sido a própria imprensa que instaurou o pânico, ela não conseguiu mais divulgar que estava tudo bem. A população através da mídia social (telefone, boca a boca, e-mail, Orkut, etc) divulgou o oposto e as conseqüências, todo mundo sabe quais foram. Outro caso chocante foi a negligência da imprensa com o Pangea Day em maio de 2008. Senti tanta vergonha de ver a imprensa, desculpem a expressão, “de quatro” diante do caso Isabella. Um dos maiores eventos mundiais pela paz, sendo que o Brasil foi um dos países a ter a honra de participar diretamente, foi totalmente ignorado para dar lugar a semanas de destaque para quem matou a Isabella… vexame inacreditável! Mas as mídia social agiu e fez com que milhares de pessoas assistissem o evento.
Na minha opinião, esse jornalismo está com os dias contados e não por causa da conscientização de nós leitores, mas pela falta de verba para manter esses veículos. Sim, cada vez mais as pesquisas estão mostrando que as propagandas publicadas nesses veículos estão diminuindo em credibilidade. Os consumidores estão cada vez mais influenciados pelas mídias sociais. O jornalismo vai acompanhar isso, com certeza, mas ainda estamos no estado da arte e ninguém… ninguém ainda conhece esse assunto! Somos todos aprendizes da web