segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

BOM DIA 2012!



Amanhece o segundo dia, do segundo ano da segunda década deste novo século... uma segunda-feira. Segundo todos os meus sentidos será um ano extraordinário.
No primeiro dia do ano passado escrevi o artigo “1 do 1 de 11” onde falava da década passada: “A última década consolidou as mídias sociais na Internet, derrubou mitos tombados pelo patrimônio histórico do poder vigente, deu voz a milhares de cidadãos distantes da mídia, deixou involuntariamente mais transparente as ações de governo, permitiu que a leitura fosse mais acessível, tirou a espiritualidade do armário, rompeu a barreira das línguas e linguagens, tornou a sustentabilidade sustentável e principalmente abriu as portas para o Conectivismo na Educação. A conexão com, de alguma forma, tudo e todos vai permitir essa revolução da Educação.” Naquele início de Janeiro de 2011 as mídias sociais estavam fervilhando com o poder da mídia indo cada vez mais para as mãos do cidadão. O Wikileaks ainda estava fazendo barulho quando o caso do Tunisiano desempregado Mohamed Bouazizi, que ateou fogo em si mesmo no dia 17 de Dezembro depois que a polícia apreendeu as verduras que vendia, se tornaria o estopim do que mais tarde chamaríamos da Primavera Árabe. O mundo nunca mais seria o mesmo! O ano de 2011 colecionou muitos outros acontecimentos de transformação, além da inacreditável avalanche da Primavera Árabe. O Tsunami no Japão acabou com a crença de que a energia nuclear é segura e deixou claro que produz uma herança, de custo incalculável, de lixo radioativo para dezenas de gerações. O Occupy Wall Street, entre outras micro revoluções, materializou a Nova Economia para essa década e valorizou os investimentos de impacto para ocuparem o topo da lista. O nosso Governo Federal não conseguiu fazer coisa alguma nesse ano além de se ocupar com as defesas e subsequentes demissões de ministros.
O ano de 2011 foi forte e bem especial para mim. Foi o ano Internacional das Florestas que por um lado trouxe avanços incríveis aos movimentos socioambientais, por outro produziu absurdos como a aprovação do Código Florestal. No dia 11 do 1 do 11 (foi ao acaso) nasceu a ideia de criar a 3/BrasiL que será uma entidade “virtual” que agregará valor, de forma inovadora e criativa, à projetos de Sustentabilidade no Brasil. Em Fevereiro conheci pessoalmente a Juanita Brown do movimento, que admiro muito, “World Café”, em nossa primeira reunião da SOL Brasil (Society for Organizational Learning criado por Peter Senge). Em Março participei do Fórum Mundial de Sustentabilidade em Manaus onde tive a grata satisfação de conhecer pessoalmente o Paul Hawken, jornalista que escreveu uma das bíblias da Nova Economia (Capitalismo Natural). Dei para ele um presente para ajuda-lo a fazer as pessoas o escutarem melhor, foi um cotonete gigante de Itu... rimos muito! Escrevi de lá, para a Revista de RH um artigo “Recursos Humanos Sustentáveis” com as minhas impressões. O ano foi fértil de conhecer pessoas sensacionais. Entre elas estão Tião Rocha, educador e fazedor de SER do Ser Humano; Otto Sharmer que mapeou o DNA da Aprendizagem e sistematizou a Teoria U; Edgar Gouveia Junior que criou a possibilidade de transformar o mundo através de um jogo (The Call); Peter Senge que há anos sigo seus ensinamentos da Nova Economia e Judy McAllister da comunidade de Findhorn (Escócia) que integra as Naturezas fazendo dela uma das principais “educadoras” dessa Nova Economia.
A Nova Política foi outra grande conquista de 2011, a partir de 2012 a velha política corrupta vai morrendo aos poucos e dando lugar a uma política colaborativa onde o governo tem cada vez menos influência nessa política cidadã. Os Investimentos de Impacto serão o grande motor do mercado financeiro em 2012. A Rio + 20 será a celebração da sociedade civil se sobressaindo à programação oficial da ONU e conduzindo o processo de sustentabilidade real. Adorei estar presente ao Game Camp que produziu a base do que será um dos maiores movimentos de transformação através de um jogo chamado "The Call" que será lançado mundialmente no dia 21 de Dezembro de 2012. Entre as alegrias de 2011, o Encontro Brasileiro de Jornalismo Ambiental foi um ponto alto. Foram cerca de 1.200 jornalistas inscritos. Na minha palestra apresentei entre outros movimentos o Blue Marbles Project em que você dá uma bolinha de gude azul do projeto (representa o planeta) para quem está fazendo uma diferença para o Planeta. No evento, dei uma para o Ladislau Dowbor e outra para o André Trigueiro. O workshop de mídias sociais que conduzi gerou o Jornalismo Ambiental que em 2012 deve se tornar um ponto de referência. De todos artigos que li em 2011, o escrito pela minha cara metade, Deborah Dubner, foi o melhor... CONFIRA! Aproveite para ler também a história do blog do meu filho, sobre a Turma da Monica Jovem, que chegou a ter 4.900 pessoas entrando num único dia e que depois de 2 anos resolveu encerrar as atividades.

O Encontro Brasileiro de Danças Circulares, uma das formas mais eficazes terapias do século XXI, foi outro momento especial do ano que passou. A viagem pela floresta no coração da Mata Atlântica com Walter Behr gestor do Parque Nacional de Itatiaia; a visita a Escola Carlito Maia, em Cunha, com a educadora e ambientalista Dulce Maia; a viagem à Floresta Amazônica, com Virgilio Viana criador da Fundação Amazônia Sustentável onde visitamos algumas comunidades, entre elas Tumbira (Anavilhana) foram momentos de aprendizagem profunda.

Portanto 2011 foi um ano muito fértil apesar da aprovação do Código Florestal e dos Pôneis Malditos, muita coisa boa está sendo feita. O segundo ano da segunda década desse século promete ser extraordinário. Com isso desejamos um BOM DIA à 2012!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sustentabilidade e Mídias Sociais



O Dia Mundial do Meio Ambiente, no ano Internacional das Florestas marca o início da mais importante jornada rumo à SUSTENTABILIDADE. A partir de agora, qualquer que seja sua atuação profissional, você estará intimamente ligado ao tema. Quanto mais familiarizado e atuante você estiver maior serão suas possibilidades de desenvolvimento pessoal. A verdade é que todo mundo fala sobre emissão de carbono, reciclagem, desmatamento, reuso da água, produtos orgânicos, poluição, lixo, selo verde, ISO 14.000, energia limpa e até mesmo sustentabilidade sem realmente saber do que se trata. Para piorar, poucos compreendem como tudo isso está interligado e o quanto afeta diretamente suas decisões. Hoje o melhor caminho para aprender, ficar sintonizado e acompanhar as questões de sustentabilidade, são as mídias sociais. Todos, de alguma forma, estão conectados, mas poucos sabem como otimizar os resultados.
Nessa semana, o que podemos falar do meio ambiente? Estamos ainda digerindo a reunião do G8 na Normandia (França), a preparatória para a COP 17 em Durban (África do Sul) e o fracasso do Código Florestal na Câmara dos Deputados. Os deputados votaram na “Licença para Matar” e anistia aos crimes ambientais. O que mais impressionou foi a propaganda de que os ambientalistas (chamados de uma forma pejorativa) eram contra o desenvolvimento e queriam acabar com os agricultores pobres ou pobres agricultores. Teve muita gente que acreditou (honestamente) nessa bobagem e veiculou através de blogs, Facebook, twitters e conversas de bar de que esses radicais queriam impedir o Brasil de crescer. Como se não bastasse, teve aqueles que disseram que tudo isso não passava de uma conspiração de estrangeiros, que já haviam destruído suas próprias florestas e agora queriam “meter o bedelho” no nosso país. Só não dá para rir porque as consequências são bem sérias para todos nós. O que muda no Código Florestal Brasileiro é que apenas as Unidades de Conservação continuarão protegidas enquanto as encostas dos morros, beira de rios e a nossa rica biodiversidade poderão ser desmatadas em nome de… sei lá do que! A riqueza (em dinheiro mesmo) da biodiversidade, por hectare, da floresta Amazônica é muito maior que, por exemplo, a plantação de soja. Só fazer as contas. Quem leu o relatório do IPEA (08/06/2011), uma agência do governo federal, consegue entender claramente o desastre que está ocorrendo e a gravidade quanto ao futuro, agora nas mãos do Senado, do Código Florestal Brasileiro. Para se ter uma ideia o Código quer anistiar uma área do tamanho do RS. A situação está tão crítica que o Ministério do Meio Ambiente foi obrigado a criar o Gabinete da Crise para reduzir o desmatamento da Amazônia. Ou seja não há como ficar neutro nessa questão. O impacto em todos os negócios será crítico e, portanto torna-se importante conhecer profundamente as questões da sustentabilidade. Enquanto a Anfavea comemora recorde na produção de automóveis no primeiro trimestre desse ano, o trânsito de São Paulo chora! Tem algo errado nessa equação!
Novamente, a mídia social é o caminho para esse entendimento e aprendizagem. O efeito desse “boca a boca” pode fazer uma grande diferença. Vejam o artigo que publiquei na Revista de RH, “Recursos Humanos Sustentáveis” . No mês de agosto estarei dando um curso sobre Mídias Sociais e a Sustentabilidade . A classe terá apenas 16 pessoas para a que a gente consiga interagir individualmente na área de cada um.
Nesse momento o Código Florestal Brasileiro é o principal tema no meio ambiente e precisa da nossa atenção. Procurem se informar bem com quem vocês confiam. Eu pessoalmente gostei muito do artigo do biólogo Joaquim Maia Neto e da matéria sobre o Manifesto em Defesa das Florestas.
Estamos em contagem regressiva para a Rio + 20, que será o evento mais importante para o meio ambiente.

sábado, 1 de janeiro de 2011

1 de 1 de 11

1 de Janeiro de 2011
Primeiro dia dessa década que promete ser a década da Educação, ou melhor, da Aprendizagem.
A última década consolidou as mídias sociais na Internet, derrubou mitos tombados pelo patrimônio histórico do poder vigente, deu voz a milhares de cidadãos distantes da mídia, deixou involuntariamente mais transparente as ações de governo, permitiu que a leitura fosse mais acessível, tirou a espiritualidade do armário, rompeu a barreira das línguas e linguagens, tornou a sustentabilidade sustentável e principalmente abriu as portas para o Conectivismo na Educação. A conexão com, de alguma forma, tudo e todos vai permitir essa revolução da Educação. Bem vindos a 2011!
Imaginem só... se alguém na década de 90 afirmasse que na próxima década os EUA teria um presidente negro, que o Lula seria eleito e os bancos teriam lucros recordes em seu governo, que a Volvo seria Chinesa, que o Niemeyer faria 103 anos, que tristemente Sérgio Vieira de Mello não substituiria o Kofi Annan na ONU, que a tradicional Burger King seria Brasileira, que as torres gêmeas (EUA) seriam derrubadas por aviões de passageiros, que o George Bush assumiria a presidência dos EUA mesmo tendo perdido para Al Gore nas urnas, que o tal do bug do milênio (Y2K) não faria mal a ninguém, que o Lehman Brothers fecharia, que a Arthur Andersen teria sua reputação destruída, que uma empresa chamada Google seria uma das marcas mais valiosas do mundo, que avançaríamos muito pouco na terapia genética, que a natureza bateria tão forte e que Plutão deixaria de ser um planeta. Uma década inacreditável!
Com certeza essa década promete nos surpreender ainda mais. Quem se arrisca a fazer previsões? Nenhum de nós sabe o que vai acontecer, mas uma coisa é certa: na Educação uma revolução transformará completamente as atuais estruturas e metodologias. Arrisco-me a dizer que logo não haverá mais vestibular e que as escolas serão espaços de lazer que promoverão uma aprendizagem real. A alfabetização ecológica, educação ambiental e sustentabilidade farão parte dessa nova fase assim como nutrição, saúde, economia, evolução da consciência, inteligência emocional e social. O conteúdo será diretamente ligado ao SER do ser humano. A competitividade será substituída pela colaboração e as hierarquias pelas lideranças. Pode parecer absurdo, mas para a década passada também parecia. Viva a Aprendizagem!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mídias Sociais na Educação

Algo muito importante está acontecendo, hoje, na Educação: Aprendizagem através das mídias sociais! Será que é mais uma dessas modas que alguém coloca um nome diferente para algo que sempre existiu? Será que essa ideia veio de empresas que querem nos vender computadores e softwares? O que isso tem a ver com a Internet?

O grande problema na Educação de hoje é que os alunos são do século XXI (óbvio), os professores do XX (também óbvio) e o conteúdo do XIX (não tão óbvio), modernizado. Em vez de ficarmos (nós do século XX) na discussão do que é ou do que não é... devemos avançar para o que já conquistado em termos de aprendizagem.

Ao contrário do que muitos educadores (ainda) pensam, se o Paulo Freire estivesse por aqui seria um dos mais seguidos no Twitter, o Darcy Ribeiro anunciaria o Café História pelo seu Facebook, o Ning do Anísio Teixeira seria a rede que mais criaria sub-redes, o site tupinanba.com.br criado e mantido por Florestan Fernandes estaria fazendo ranking de professores/diretores pela avaliação direta dos alunos. Com certeza ninguém ouviria um Lourenço Filho ou um Gustavo Capanema (educadores nascidos no século XIX) dizer que não tem idade para esse “negócio de Internet”.


Se a aprendizagem está acontecendo, qualquer educador deveria olhar com carinho para o que a está possibilitando. A Escola deveria estar “revisitando” o significado da aprendizagem, “resignificando” sua própria aprendizagem e produzindo uma aprendizagem “verdadeiramente” significativa.

Muito coisa está sendo feita nessa direção. Vejam, por exemplo, o que vem sendo feito na India. Um projeto (1999), chamado Buraco na Parede (Hole-in-the-wall), criado por Sugata Mitra que simplesmente abriu um buraco no muro entre a Universidade e uma favela em Nova Deli. Do lado da favela era possível ver a tela e acessar o teclado. Sem qualquer orientação os moradores da favela, principalmente as crianças, foram aprendendo a utilizar os recursos e os resultados, na aprendizagem, foram surpreendentes. Nasceu o conceito de que as crianças aprendem por si mesmas sem uma interferência direta (Minimally Invasive Education). Simples não é?
Outra leitura obrigatória para qualquer educador interessado em aprendizagem é o “A Escola que Aprende” do Peter Senge. Se gostar leia também o “Presença” do mesmo autor. Veja em um artigo que publiquei em 2007 outras dicas de leituras.

Temos muitas coisas boas acontecendo na Educação, um número maior de educadores precisa entrar nessa rede. Comece pela rede dos “Românticos Conspiradores” (http://romanticos-conspiradores.ning.com) com a presença do nosso querido José Pacheco entre outros que acreditam na educação como uma forma de transformar o Ser do ser humano. Vejo vocês por lá!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Pegadas da Marina Silva



Publicado em 05/11/2009 no itu.com.br

Tenho certeza que a Mídia Social vai definir as eleições de 2010. Essa frase é parecida com uma afirmação que fiz, em julho de 2008, onde eu usava a palavra “Internet” no lugar de “Mídia Social”. Apesar da opinião dos nossos principais especialistas em política, que estavam no evento “Efeito Obama” em meados de outubro, eu acredito que teremos no Brasil um impacto parecido com o das eleições americanas de 2008. Os analistas políticos colocam muitos “porém”, “por causa disso ou daquilo”, mas na verdade não sabem do que estão falando porque ninguém sabe. Se você conseguir ir até o final desse texto terá uma boa ideia do porque dessa minha certeza.

Eleitorado Adormecido

Vamos começar pelo final, daqui a 11 meses, no dia 4 de outubro de 2010. Os eleitores Brasileiros vão escolher, através de suas próprias consciências, o que fazer. Primeiro devem avaliar se vão votar ou justificar, depois definir se há um candidato de sua preferência (mesmo os que não votarão). Essa simples equação terá passado por um complexo sistema de decisão até chegar na ação de votar.

Agora vamos voltar para trás e perceber claramente porque a mídia social vai alterar a balança em seu favor. Na última eleição presidencial o Lula obteve 46.662.365 votos no primeiro turno enquanto o Alckmin 39.968.369. Percebam que a diferença entre eles foi de 6.693.996 votos. As pessoas que resolveram anular o voto somaram 5.957.207 votos, apenas 736.789 a menos que a diferença. Outros 2.866.205 votaram em branco. O que realmente surpreende são os eleitores que optaram por não ir às urnas, 21.092.511.

No segundo turno não foi muito diferente: 23.914.714 de eleitores não compareceram às urnas, 4.808.553 anularam seu voto e 1.351.448 votaram em branco. Nas eleições anteriores (2002) também não foi diferente. Tivemos, no primeiro turno, 20.449.690 de eleitores que resolveram não votar enquanto o Serra recebeu apenas 19.705.061 de votos, além dos 6.976.107 votos nulos e 3.873.720 brancos. No segundo turno não compareceram às urnas 23.589.188 de eleitores enquanto 3.772.138 anularam e 1.727.760 votaram em branco.

Em 1998 foram 22.802.823 abstenções enquanto o Lula recebeu apenas 21.475.211 votos. As abstenções mais os nulos (8.887.091) e os brancos (6.688.371) somaram 38.378.285 enquanto Fernando Henrique Cardoso venceu a eleição, no primeiro turno com 35.936.382 votos.

Em 1994 as abstenções, nulos e brancos somaram 31.409.533. Enquanto Lula recebia 17.126.291 votos, FHC venceu com 34.377.198 votos. Ou seja, há um gigantesco espaço de insatisfação com o atual modelo político que leva um grande contingente de pessoas a anular o voto, deixar em branco e principalmente nem comparecer para votar.

Se as pessoas realmente se motivarem a ir às urnas, se aqueles que protestam anulando seu voto encontrarem alguém merecedor, se os indiferentes perceberem a diferença e os jovens de 16 e 17 anos aderirem ao movimento... Ficou clara a diferença que pode fazer a mídia social através de um movimento colaborativo com um candidato que possa ser um símbolo dessa nova política?

Primeira Pegada

Em junho desse ano, atravessando a Serra da Bocaina com um grupo de amigos ambientalistas, eu tive 4 dias para explicar o que era Mídia Social e porque teria uma importância tão grande nas eleições de 2010. Normalmente, tenho apenas 1 hora numa palestra ou mais algumas em reuniões e conversas, mas ali estávamos em outro ambiente, em outro tempo. Entre as minhas questões para o Brasil estava o fato de que, tristemente, os candidatos conhecidos não tinham o perfil para ativar a Mídia Social. Lamentei também que, aparentemente, não estavam vendo o poder dessa ferramenta de cidadania e estavam sendo orientados por profissionais que não sabem o quanto não sabem. Falei que não me surpreenderia se aparecesse alguém totalmente novo que já vinha se preparando desde o início do ano e não aparecia no radar. Aquele diálogo fez com que um deles entendesse claramente do que se tratava e disse que existia um candidato com esse exato perfil: a Marina Silva.

Importante registrar que isso aconteceu no dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) a 1.600 metros de altitude no Pico do Gavião do Parque da Serra da Bocaina.

Demorei a entender porque a Marina Silva poderia ser “a” candidata. Já tinha recebido alguns e-mails de pessoas fazendo algum tipo de campanha com o nome dela. O maior problema era ela ser do PT, que além de representar justamente o que precisa ser mudado, tinha muitos pontos impossíveis de contornar para contarmos com a Mídia Social. Quanto mais eu entendia quem era a Marina, mais claro ficava que ela era “a” pessoa para representar esse movimento. Só o que ela já produziu de ações de sustentabilidade para o cenário dos candidatos e do país já lhe permite receber créditos pelas suas pegadas ecológicas.

Hoje acredito que temos uma ótima possibilidade de agregarmos todas as tribos e juntos co-construirmos um Brasil de muitos “Brasis”, cuidado por todos nós. Essa eleição extrapola as fronteiras nacionais. Ela é importante para todo o planeta. Que a miopia, temporária, dos especialistas políticos não nos desanime de “entrar nessa” agora mesmo!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Superando a Crise: o caminho é a mudança cultural




Todos nós fomos e estamos sendo afetados, direta ou indiretamente, pela crise mundial. A diferença é como cada um reage a ela. Dos dois extremos “suicídio” e “não é comigo”, temos uma enorme variedade de possibilidades que passam por campos como o financeiro, negócios, empregos, saúde, auto-estima, humor e muitos outros. Como dizia Drummond, “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.

Qual é a sua escolha? Você é dos que diz que está sempre sem tempo ou recursos? Pense bem... não responda por impulso... fique com a questão! Procure se lembrar da última vez que aceitou um desafio. Comece escolhendo ler esse texto até o fim.

Para sair desse estado é preciso aprender a pensar “fora da caixa”. É preciso uma mudança cultural. A frase do Einstein, "Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo grau de consciência que o gerou" ilustra bem o que é uma mudança cultural.

Todos nós temos um código cultural que nos leva a agir e reagir conforme essas crenças e valores. O que é preciso para alterar o código cultural? O que é preciso para se abrir a algo novo e inusitado? Em primeiro lugar é preciso colocar de lado o que você acredita e, momentaneamente, imaginar a possibilidade de aceitar uma nova idéia. Isso significa manter suas crenças e valores afastados do seu julgamento e ser generoso na escuta de uma possível mudança.

Vamos, por exemplo, pensar na possibilidade de que ler, ouvir e ver notícias seja uma ação de pouca utilidade. Deixemos de lado, por instantes, a idéia de que os jornais são uma rica fonte de informações e de que se não estivermos conectados a eles, seremos alienados. Ficaremos abertos para a possibilidade de que, além de nos fazerem perder uma boa quantidade de tempo, não nos trazem informações pertinentes às necessidades do nosso dia a dia. Pode parecer difícil imaginar isso, mas podemos ir além. Por exemplo, dizendo que as notícias podem nos fazer mal ou que ao invés de informar podem desinformar. Qualquer mudança cultural é uma mudança de paradigma (breakthrough) e, portanto, exige um novo grau de consciência.

Tudo está mudando! Na educação está ficando claro que esse modelo de escola não funciona mais. Na saúde, a neurociência e a inteligência social estão revolucionando o conceito de doença. Na política a sociedade civil transforma um movimento em votos. Na ecologia, o verde deixou de ser adjetivo para se tornar um verbo. Na economia e negócios é onde temos, ainda, um longo caminho a trilhar. Apesar dos sinais estarem claros de que há uma Nova Economia, precisamos de uma urgente transformação cultural nas organizações. Isso não é uma ação individual, mas coletiva, colaborativa.

Qual o caminho?

Acredito muito na visão de inovadores e na oportunidade que o Brasil tem de liderar essa mudança cultural. Somos multiculturais por natureza!
Um desses líderes inovadores é Oscar Motomura, conhecido por praticamente todos os líderes empresariais e que está promovendo um evento que, na minha visão, é imperdível.

Durante três dias, Motomura dialogará com o papa da cultura organizacional, Edgar Schein, que estará no Brasil para este evento colaborativo. É uma oportunidade de mudar o nosso grau de consciência e compartilhar com uma comunidade o pensar “fora da caixa”.

Faço uma provocação, emprestando mais uma frase de Einstein: “Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes.”

O evento começa no próximo dia 16 de junho. Mais informações: www.mudancacultural.com.br

terça-feira, 14 de abril de 2009

Jornalismo 2.0

Estamos num momento histórico onde as mudanças socioeconômicas estão ocorrendo numa velocidade muito maior do que é possível para as escolas, empresas e governos acompanharem. Além disso, o poder e a riqueza estão mudando de mãos. Até mesmo a religião está sendo “resignificada”. O agente dessas mudanças somos nós e a força das nossas redes de relacionamentos. Um fenômeno chamado Mídia Social está alterando a política mundial, a gestão dos negócios, a publicidade, a aprendizagem, o sistema todo de saúde, o movimento socioambiental, a cultura e a imprensa mundial. Isso, obviamente, está alterando o mundo como o conhecíamos. As escolas, lamentavelmente, estão longe desse processo. Elas estão na contra mão de fazer o que é necessário para preparar seus alunos para essa nova realidade. Em minha opinião, a maioria delas, é uma perda de tempo, humor, saúde e dinheiro. A ponta dessa mudança é a Imprensa! Cabe a ela se adaptar e informar, o mais rápido possível, sobre essa nova consciência e a importância (e responsabilidade) de cada um de nós.
A Imprensa está passando pela nova realidade da web 2.0 e sentindo seus efeitos na pele, no papel, nas redes, nas ondas e micro ondas. Quem estiver parado discutindo sobre quem é jornalista ou não, sobre diplomas, reservas de mercado, validade do blog, sobre fronteiras entre mídias, se o jornal físico vai morrer ou não… está perdendo um tempo precioso! Mesmo questões sobre privacidade e direito autoral já estão quase mortas. As questões são outras: reputação, colaboração, mídias sociais, experiência do leitor, comunicação interativa, fãs, cidadania, identidades, tribos, cultura de transparência, responsabilidade com o planeta e seus habitantes. Para essas questões, e muitas outras que virão, ainda não há respostas fáceis. Temos só um vislumbre baseado na pouca experiência que tivemos nesses últimos anos. Tudo está mudando na imprensa, das agências de notícias até os múltiplos formatos dos veículos.
Vamos começar, por exemplo, com quem lê o que. Uma coisa é a importância e a idoneidade do veículo, outra é quem está lendo – de verdade – o que está escrito, dito ou visto nele. A colunista Kathleen Parker do Washington Post afirmou, numa coluna (Folha de São Paulo 07/11/08 – A12) , que ninguém lê a “The Economist”, independente do contexto… ela tem razão e todo mundo sabe disso. Ou seja, a revista de economia mais importante do mundo não é lida por “ninguém”. Temos muitos exemplos de momentos em que a imprensa divulgava uma coisa e as pessoas acreditavam em outra. O caso mais comentado, do boca a boca superando a imprensa é a do PCC em maio de 2006 em São Paulo. Apesar de ter sido a própria imprensa que instaurou o pânico, ela não conseguiu mais divulgar que estava tudo bem. A população através da mídia social (telefone, boca a boca, e-mail, Orkut, etc) divulgou o oposto e as conseqüências, todo mundo sabe quais foram. Outro caso chocante foi a negligência da imprensa com o Pangea Day em maio de 2008. Senti tanta vergonha de ver a imprensa, desculpem a expressão, “de quatro” diante do caso Isabella. Um dos maiores eventos mundiais pela paz, sendo que o Brasil foi um dos países a ter a honra de participar diretamente, foi totalmente ignorado para dar lugar a semanas de destaque para quem matou a Isabella… vexame inacreditável! Mas as mídia social agiu e fez com que milhares de pessoas assistissem o evento.
Na minha opinião, esse jornalismo está com os dias contados e não por causa da conscientização de nós leitores, mas pela falta de verba para manter esses veículos. Sim, cada vez mais as pesquisas estão mostrando que as propagandas publicadas nesses veículos estão diminuindo em credibilidade. Os consumidores estão cada vez mais influenciados pelas mídias sociais. O jornalismo vai acompanhar isso, com certeza, mas ainda estamos no estado da arte e ninguém… ninguém ainda conhece esse assunto! Somos todos aprendizes da web